Aprovação de auxílio emergencial para artistas divide opiniões no meio cultural
Para gestores culturais de Patos de Minas, o auxílio emergencial deveria ser mais abrangente.
A aprovação de três projetos de lei que consolidam um auxÃlio emergencial destinado aos artistas de Patos de Minas na última quarta-feira (02) rachou opiniões no setor cultural da cidade.
O auxÃlio emergencial que contemplará 133 artistas em duas parcelas mensais de 300 reais é de autoria do poder executivo e surgiu devido ao fato do segmento cultural ser um dos mais prejudicados durante a pandemia.
O benefÃcio foi elaborado aos moldes do auxÃlio emergencial do Governo Federal e segue critérios similares aos da Lei Aldir Blanc, criada em 2020 para subsidiar artistas prejudicados pela Covid-19 em todo o paÃs.
Para receber, os artistas não podem possuir vÃnculo empregatÃcio e nem receber nenhum benefÃcio previdenciário ou assistencial, incluindo o auxÃlio emergencial do governo, excluindo-se o Bolsa FamÃlia.
“É um valor pequeno, mas se você souber usar os 300 reais, dá pra fazer três cestas básicasâ€, disse o baterista e presidente da Associação dos Músicos de Patos de Minas Fabiano Brandão.
O músico acredita que outros benefÃcios possam ocorrer para o segmento cultural e ressalta a importância da abertura de diversos outros editais culturais realizados pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.
Entretanto, o auxÃlio emergencial aprovado na cidade foi contestado por gestores de cultura patenses que chegaram a apontar meios de tornar o benefÃcio mais abrangente, porém não foram ouvidos.
Para Tertuliano Bill, presidente da União dos Artistas Plásticos de Patos de Minas (Unart), existem dois tipos de artistas na cidade: “Aquele que precisa de outro emprego para sobreviver e aquele que Deus ajudou e sobrevive só da arteâ€.
Bill esclarece que após um ano de pandemia, a classe artÃstica teve de procurar outras ocupações para sobreviver e além disso, muitos artistas receberam o auxÃlio emergencial do Governo Federal.
“Quem é artista? É aquele sabe tocar violão e desenhar ou aquele que vive da arte está passando muito apertado, mas nem por isso deixou de trabalhar? Esse auxÃlio deveria ser complementar e não emergencialâ€, disse Bill.
Uma das sugestões de Tertuliano para a lei seria a de transformá-la em editais para microprojetos que permitissem os artistas realizarem lives e recebessem cachês por isso. “Quem serão esses artistas contemplados?â€, indagou.
“O projeto de auxÃlio não é um viés que a classe artÃstica vem reivindicando. Apresentamos projetos para movimentar a economia criativa, que seriam revertidos para a própria sociedade patenseâ€, disse Ciro Nunes.
Ciro é gestor cultural e músico na banda Pássaro Vivo. “Não somos contra o auxÃlio, inclusive propomos alterações que foram acatadas pelo secretário de cultura (Ivan Rosa), porém as adequações não foram feitasâ€, afirmou.
Já o músico Lucas de Paula acredita que o projeto deveria abranger mais pessoas, incluindo aquelas que já recebem o auxÃlio emergencial do governo, pois o benefÃcio se trata de uma renda complementar e não fixa.
“A maioria dos artistas já está recebendo o auxÃlio de 150 reais. O ideal seria que eles pudessem concorrer ao edital da cidade e se tratando de um recurso público, deveria atender um maior número de pessoasâ€, concluiu.
