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Golpes pelo celular avançam e mudam de estratégia em Minas Gerais

Fraudes combinam ligações, aplicativos de mensagens, páginas falsas e Pix; em Minas, registros de estelionatos por meios eletrônicos cresceram 31,3% entre 2023 e 2024.

Matheus Borges2026-09-09Fonte: NTV
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O celular se consolidou como uma das principais ferramentas utilizadas por criminosos para aplicar golpes. Em Minas Gerais, os registros de estelionato praticado por meios eletrônicos, como internet e SMS, passaram de 41.080 em 2023 para 53.942 em 2024, crescimento de 31,3%, segundo dados do Observatório de Segurança Pública do Estado.

Embora ainda não exista um levantamento oficial consolidado que permita afirmar quantas pessoas foram vítimas especificamente de golpes pelo celular em Minas Gerais em 2026, os dados disponíveis mostram uma tendência de avanço das fraudes digitais. O celular deixou de ser apenas um canal para o contato inicial e passou a concentrar praticamente todas as etapas do golpe: abordagem, conversa com a vítima, envio de links, coleta de informações e, em muitos casos, transferência de dinheiro.

Uma pesquisa recente do Cetic.br ajuda a dimensionar o problema no país. Um em cada três brasileiros com 16 anos ou mais afirmou já ter recebido alguma tentativa de golpe envolvendo o uso de dados pessoais. O levantamento estima cerca de 45 milhões de pessoas nessa situação. Entre os canais mais utilizados pelos criminosos aparecem os aplicativos de mensagens, citados por 84% dos entrevistados, seguidos pelas ligações telefônicas, com 79%.

Como os golpes mudaram

Os criminosos passaram a combinar diferentes estratégias. Uma ligação pode ser usada para confirmar informações; depois, a vítima recebe uma mensagem pelo WhatsApp com um link ou orientação para realizar determinada operação.

Entre os métodos estão o falso funcionário de banco, o falso parente, a falsa central de atendimento, a falsa oferta de emprego, o pedido urgente de dinheiro e mensagens que simulam benefícios ou serviços públicos.

Outro problema recente é a utilização de páginas falsas e mecanismos capazes de direcionar a vítima para ambientes controlados pelos criminosos. Em setembro de 2026, por exemplo, foi identificado um golpe que altera o QR Code do Pix em sites de comércio eletrônico. A fraude substitui o código verdadeiro pelo código controlado pelos criminosos, desviando o pagamento.

Também há casos em que os criminosos conseguem invadir contas ou utilizar informações pessoais para contratar produtos financeiros em nome da vítima. Em julho de 2026, a Polícia Federal investigou em Montes Claros uma fraude envolvendo invasão de conta Gov.br, abertura de conta bancária e contratação irregular de empréstimos. O prejuízo estimado à instituição financeira chegou a R$ 195 mil.

Quem está mais exposto

Os golpes não atingem apenas idosos. Os dados oficiais de Minas Gerais mostram um perfil bastante amplo entre as vítimas de estelionato. No levantamento estadual referente a 2023, 20,5% das vítimas tinham entre 30 e 39 anos e 19% estavam na faixa de 40 a 49 anos. A distribuição por sexo também era próxima do equilíbrio: 49,2% das vítimas eram mulheres e 48,1%, homens.

O perfil dos criminosos também mudou. Em vez de depender apenas de abordagens presenciais, quadrilhas podem atuar à distância, utilizando dados pessoais, engenharia social, contas bancárias de terceiros e diferentes números de telefone para dificultar a identificação.

O que muda para o consumidor

A evolução dos golpes também vem provocando mudanças nos mecanismos de segurança. No caso do Pix, o Banco Central determinou novas regras para aprimorar a contestação de transações fraudulentas. A partir de março de 2027, os aplicativos bancários deverão permitir que o cliente apresente documentos e evidências durante a contestação, além de explicar de maneira mais clara quando determinada ocorrência não se enquadra no mecanismo de devolução.

Outra frente está nas ligações telefônicas. Novas regras da Anatel permitem que operadoras adotem mecanismos próprios para bloquear chamadas consideradas abusivas. Quando uma operadora implementar esse tipo de ferramenta, ela deverá oferecê-la gratuitamente aos consumidores.

Em Minas Gerais, quem é vítima de estelionato pode registrar a ocorrência pela Delegacia Virtual, inclusive quando a fraude ocorre por redes sociais, contatos telefônicos ou mensagens eletrônicas. O serviço é gratuito e pode ser utilizado pela internet ou pelo MG App.

A principal recomendação é não fornecer senhas, códigos de autenticação ou informações bancárias durante uma ligação ou conversa iniciada por terceiros. Diante de uma solicitação urgente de transferência ou Pix, a orientação é interromper o contato e procurar diretamente a instituição ou pessoa envolvida por um canal oficial.

O crescimento das fraudes digitais mostra que o golpe também se tornou mais personalizado. Com acesso a informações sobre a vítima, criminosos conseguem criar abordagens mais convincentes e o principal mecanismo de defesa continua sendo desconfiar de situações que exigem pressa, sigilo ou transferência imediata de dinheiro.