Livro polêmico será retirado das escolas de Patos de Minas
O Ministério da Educação irá recolher 93 mil exemplares que foram disponibilizados para crianças de 6 a 8 anos na cidade
Após causar polêmica, livro de conto infantil “E quem quiser que conte outra história... Enquanto o Sono não vem”, do autor José Mauro Brant, que aborda o tema de incesto e cárcere privado, será recolhido em todas as escolas de Patos de Minas, pelo Ministério da Educação. São 93 mil exemplares que foram disponibilizados para crianças de 6 a 8 anos.
A história é de um pai que pretende se casar com a filha mais bela e que resolve prendê-la em uma torre diante da recusa da menina. A filha acaba morrendo sem ninguém para salvá-la ou punir o agressor. O material foi destinado as escolas para trabalhar alunos do 1º ao 3º anos escolares. Um tema que preocupou professores e diretores das instituições.
A professora do 6º ao 9º ano e mãe Tânia Aparecida Moreira dos Santos tomou conhecimento do livro por meio de uma reportagem na internet. " Fiquei bem chocada, porque tenho uma filha de nove anos, dois filhos de sete. Pensei, se eles tivessem acesso a esse livro na escola, não seria o momento de tratar esse assunto com eles. Como mãe e educadora, não aprovo esse tipo de literatura na escola, para crianças nessa faixa etária. Achei muito errado", disse.
Mas, para a professora de pedagogia e especialista em educação infantil, Maria Marta Couto, o material pode ser bem proveitoso se o corpo docente souber trabalhar o tema de forma apropriada. " Proponho uma reflexão. A professora do Unicamp, Marisa Lajolo diz que o pior livro pode ficar bom na mão de um bom professor e o melhor livro pode desandar na mão de um mal professor. O livro é simplesmente um recurso didático e requer a mediação de alguém preparado para utilizar esse recurso com as crianças. A mediação é decisiva para o encaminhamentos saudáveis do objeto", afirma.
Segundo a especialista, a violência, o abuso sexual dentro da própria casa, sofrida por pais e companheiros das mães das crianças, expõem os alunos a realidade e seria uma mediocridade não tratar desses temas em sala de aula. Para Marta, o livro poderia ser uma oportunidade de trabalhar isso no ambiente escolar.
"Nem tudo que não é politicamente correto, deve ser descartado. E claro que e preciso muito cuidado porque as crianças ainda não conseguem separar relação e ficção", alerta, destacando que a importancia das crianças conhecerem seus direitos e órgãos de proteção. Antes de chegar às escolas, o livro passou por uma equipe de vistoria que autorizou a distribuição do material nas escolas. E somente ao chegar as instituições escolares é que foi barrado pelos diretores. O recolhimento dos exemplares deixa as mães mais tranquilas.
