Acusados de matar detento em banheiro de presídio são condenados a até 22 anos em regime fechado
Gilson foi encontrado no banheiro do presídio, amarrado pelo pescoço em um cobertor, simulando suicídio
Cinco pessoas foram condenadas nesta sexta-feira (24) pelo assassinato de Gilson Martins em março de 2022 no presídio Sebastião Satiro, em Patos de Minas. Gilson foi encontrado no banheiro do presídio, amarrado pelo pescoço em um cobertor, simulando suicídio.
As investigações posteriormente indicaram se tratar de um homicídio, e cinco detentos foram indiciados pelo crime. As penas vão de 15 a 22 anos em regime fechado e sem direito de recorrer em liberdade: Alex Junior Fideles de Lima, 22 anos; Leonardo Alves de Souza, 22 anos; Marcos Antônio Eugênio de Freitas 22 anos; Marcos Vinicius de Souza Pereira, 15 anos; Raylan Bebeiano dos Santos, 15 anos.
O caso.
O crime ocorreu em 13 de março de 2022 no presídio Sebastião Satiro, no bairro Distrito Industrial II, em Patos de Minas. Gilson Martins foi morto por asfixia dentro da unidade.
A Polícia Militar foi acionada, e no local, um dos policiais penais relatou que havia sido chamado em uma das celas da unidade prisional por um dos detentos, que lhe contou que ao se levantar na madrugada para ir ao banheiro, deparou-se com Gilson suspenso por pedaços de tecido atados em uma janela. A cena sugeria suicídio. Posteriormente, as investigações constataram tratar-se de um homicídio.
Na noite do crime, os detentos estavam reunidos na cela, assistindo televisão, quando um deles aumentou o volume do equipamento, e eles iniciaram uma conversa em voz baixa, na qual planejaram a morte da vítima.
Um dos detentos teria colocado medicamento controlado na bebida de Gilson e de outros presos, para fazê-los dormir, e os acusados aproveitaram a oportunidade para assassinar a vítima por asfixia enquanto dormia.
Os acusados, então, levaram a vítima, já sem reação, para o banheiro e a prenderam à janela com pedaços de tecido para simular o suicídio. Na sequência, combinaram entre si que acordariam os demais detentos para anunciar a morte de Gilson.
A perícia civil foi acionada para investigar o caso e encontrou escoriações na região do nariz, lesão na região cervical (pescoço e nuca) e sangramento no nariz e boca, incompatíveis com casos de suicídio. Na cela, também foram encontradas manchas de sangue em alguns cobertores.
O crime teria sido praticado mediante promessa de recompensa, e a ordem teria sido dada pela organização criminosa PCC - Primeiro Comando da Capital. Nesta sexta-feira (24), os cinco acusados foram a julgamento, respondendo pelo crime de homicídio, mediante motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
