Campanha do Laço Branco: dia de mobilização dos homens pelo fim da violência contra as mulheres
Foram 4 crimes contra mulheres em 8 meses, entre abril e novembro
Seis de dezembro marca o dia de mobilização dos homens pelo fim da violência contra as mulheres. A data foi sancionada em junho de 2007, por meio da Lei 11.489 instituindo.
A Campanha do Laço Branco, como é conhecida, busca informar e sensibilizar sobre os problemas de desigualdade entre homens e mulheres para a mudança de comportamento e garantia de direitos sem distinção de gênero.
Esta data remete a um evento trágico ocorrido em 1989 no Canadá, quando um rapaz invadiu a sala de aula de uma escola politécnica em Montreal e assassinou 14 mulheres. A motivação do crime: o jovem não suportava a ideia de ver mulheres estudando Engenharia, curso tradicionalmente direcionado ao público masculino.
A Campanha do Laço Branco, que se espalhou por diversos países, é resultado da sensibilização de homens canadenses pelo fim da violência de gênero. O laço e a cor simbolizam o compromisso de não cometer um ato violento contra as mulheres e de não fechar os olhos frente a essa violência.
Relembre:
Patos de Minas teve quatro mulheres assassinadas por homens neste ano. A primeira vítima de feminicídio: Keila Cristina Miranda, de 38 anos, que era lojista. No dia 29 de abril deste ano na Avenida Afonso Queiroz, Ronan Custódio invadiu sua loja e efetuou diversos disparos de arma de fogo. Keila chegou a ser socorrida pelo corpo de bombeiros, ficou alguns dias internada, mas acabou não resistindo e morreu no hospital.
No dia sete de agosto deste ano, Valda Helena Soares, de 53 anos, foi a segunda vítima. Hernani Soares Caetano, de 59 anos, com quem a mulher tinha uma medida protetiva contra ele, sentiu ciúmes. Hernani foi até a casa da mulher quebrou a porta do quarto, Valda correu para o quintal, mas foi perseguida e agredida a golpes de faca. Ela chegou a ser socorrida, mas morreu no local dentro da ambulância. Hernani está preso. Valda já teria se separado do agressor em uma situação em que ele teria espancado a mulher. Chegou a se mudar de Patos de Minas e ficou uma temporada com a família. Porém, com as promessas de Hernani de que ele iria mudar, a mulher acabou dando uma nova chance ao relacionamento que terminou de forma trágica.
Quase dois meses depois, o terceiro nome de feminicídio que teve como vítima Gilmara Ferreira tinha, 21 anos, que vivia em um relacionamento abusivo há cerca de 3 meses. No dia 15 de outubro, o namorado da vítima, Diego Marques de Resende, de 31 anos, fez proposta para a namorada para que eles fizessem sexo a três, com um outro homem. Mas Diego sentiu ciúmes no momento do sexo e começou a desferir chutes e socos contra o rosto da namorada. A mulher também foi espancada com golpes de cabos de vassoura e rodos que se partiram em diversos pedaços. Com a madeira lascada ele usou os lados pontiagudos para perfurar Gilmara em diversas regiões do corpo. A terceira pessoa envolvida no ménage fugiu do local, chamou a polícia e Diego foi preso tentando ocultar o corpo que já estava em sacos plásticos.
Menos de um mês depois, Vitória Aparecida Almeida Lima, 22 anos, foi morta. O caso aconteceu no dia 12 deste mês no bairro Vila Rosa em Patos de Minas. Ela e o namorado estavam separados a cerca de 30 dias. Inconformado com o fim do relacionamento, Victor Douglas Gonçalves, de 30 anos, invadiu a casa da jovem e foi até o quarto atirando por diversas vezes na mulher que foi atingida por vários disparos na região do tórax, mão e cabeça. Vitória morreu na hora e Victor tirou a própria vida logo em seguida.
Foram 4 crimes contra mulheres em 8 meses, entre abril e novembro.
