Entre riscos e corridas: a rotina invisível dos entregadores
Motoboys enfrentam jornadas exaustivas, riscos constantes e ausência de direitos trabalhistas em um dos setores que mais crescem no país
Apesar de algumas empresas oferecerem seguros privados, muitos entregadores relatam dificuldades no acionamento desses serviços. Com isso, em caso de acidente, a ajuda costuma vir da solidariedade de colegas ou de campanhas online feitas para arrecadar fundos.
A informalidade é uma marca do modelo de negócios. Os aplicativos classificam os entregadores como "parceiros" e não como funcionários, o que desobriga as empresas de garantirem proteção social. Para especialistas em direito do trabalho, isso cria uma relação frágil, na qual o trabalhador fica com todas as responsabilidades, mas sem garantias.
A advogada Glicia Reis, especialista em direito do trabalho, alerta que embora existam brechas jurídicas para reconhecimento de vínculo empregatício, muitos motoboys não têm conhecimento ou recursos para recorrer à Justiça. Além disso, o modelo de contrato adotado pelas plataformas dificulta a comprovação de subordinação.
Mesmo diante das dificuldades, os entregadores vêm se organizando em movimentos por melhores condições de trabalho. Entre as principais reivindicações estão:
- Remuneração justa
- Mais transparência nas políticas dos aplicativos
- Segurança e saúde no trabalho
- Criação de direitos específicos para a categoria
Enquanto o debate sobre a regulamentação da profissão avança lentamente no Congresso, esses profissionais continuam sujeitos a acidentes, jornadas exaustivas e instabilidade financeira. Muitos contam apenas com a própria sorte — e a força da coletividade — para seguir em frente.
