Indignação: muros são pichados em protesto conta a censura
A frase foi assinada com a hashtag Mulheres em Luta e faz clara alusão a suspensão do programa Espaço Feminino da NTV
"Censurar não faz o estupro acabar". Esta frase amanheceu pichada nos muros que cercam o Parque de Exposições de Patos de Minas nesta sexta-feira (26/02), com o complemento: #Mulheres em Luta". Embora ainda não se saiba quem foi o autor do ato de protesto, está claro que foi motivado pela suspensão do programa Espaço Feminino da NTV, que trataria do assunto em sua pauta na última quarta-feira, mas foi impedido por determinação da Justiça.
Desde que foi a público a medida tomada contra o jornalismo da NTV, diversas manifestações tem sido vistas em repúdio ao que foi considerado como censura prévia. Nas redes sociais e em outros meios, foram publicadas diversas mensagens de indignação a cerca do caso. Na página do facebook da apresentadora Ludmila Bahia, as postagens estão repletas de comentários feitos por mulheres e homens indignados com a ação de censura prévia.
Ao tomar conhecimento do ocorrido, o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Daniel Pimentel Slaviero, publicou uma nota de repúdio a decisão do Juiz Marcus Caminhas Fasciani, da 2ª. Vara Cível da Comarca de Patos de Minas, que proibiu o programa jornalístico de ir ao ar.
Para a entidade, a restrição à divulgação de imagem constitui censura prévia à liberdade de informação e de expressão, direitos assegurados constitucionalmente ao cidadão brasileiro. E que a decisão judicial privilegia o interesse individual em detrimento do interesse da coletividade que, inclusive, pode e deve colaborar na apuração e identificação do crime.
Mesmo entendendo que a pichação é vandalismo, a manifestação é válida e chama a atenção para a situação de todas as mulheres que se calam diante das violências sofridas por medo ou falta de espaços meios para denunciar os agressores que continuam livres como pessoas normais.
