A Prova de Ganho de Peso (PGP) do Nelore, realizada no Campo Experimental de Sertãozinho da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), em Patos de Minas, iniciou no primeiro dia deste mês com a pesagem de 52 animais. Com idade média de 264 dias, eles apresentaram peso médio de 243 quilos. A prova vai avaliar os animais quanto ao desempenho em peso e ao potencial reprodutivo, a pasto. Ao final de 10 meses os futuros reprodutores serão classificados como elite, superior, regular ou inferior. A PGP irá possibilitar a implementação de novas linhas de pesquisa projetando o Alto Paranaíba como referência em melhoramento genético na pecuária.
Para o presidente da EPAMIG, Rui Verneque, é mais uma contribuição da empresa a toda classe produtora, principalmente àqueles produtores que querem utilizar um touro nelore como reprodutor. “Os produtores terão a oportunidade de adquirirem os produtos desse trabalho de pesquisa para melhorar a qualidade e a produtividade do seu rebanho”, ressalta.
Na opinião do coordenador de tecnologia da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (EMATER-MG) , Sérgio Glicério, a PGP representa um referencial do gado de corte na região. “Muitos produtores estão perdendo tempo ao introduzir touro cruzado nos seus rebanhos. Perdem de 3 a 5 anos de trabalho até verem que o resultado não é tão positivo. Por isso, vamos levar os resultados da prova para as propriedades rurais. O produtor também poderá presenciar a importância da genética para a melhoria de desempenho do rebanho e de ter um produto de qualidade durante os dias de campo e o Pró-Genética da PGP”, ressalta.
Os animais que participam da prova pertencem a 22 propriedades localizadas em Minas Gerais e São Paulo. Na avaliação do veterinário Marcos Paulo Garcia, eles possuem alto valor zootécnico: “Como são animais que deverão ser utilizados para produção de bovinos de corte, a gente valoriza muito a carcaça. Todos possuem grande comprimento de garupa, arqueamento grande de costela, o que demonstra que o animal terá maior cobertura de carne”. Durante a pesagem, o veterinário realizou procedimentos para os exames de brucelose e tuberculose, além de aplicar carrapaticida e vermífugo.
Nesses primeiros 70 dias, os animais ficam em processo de adaptação e aclimatação. Eles ficam sempre juntos, no mesmo pasto, durante toda a prova, ou seja, todos os animais precisam ser avaliados em mesmas condições de manejo para dar validade à prova. Ao final, serão gerados os seguintes resultados para cada animal avaliado: peso ajustado aos 540 dias; ganho de peso no período da prova; perímetro escrotal para identificar animais mais férteis; conformação visual com aspecto racial de aprumo e sexualidade; conformação frigorífica. Será incluído, ainda, o resultado de ultrassonografia de carcaça para medir o volume de carne e a parte de acabamento dos animais. Este resultado é considerado pelos especialistas um fator importante na identificação de animais que tem precocidade na formação muscular e na formação da gordura que dá acabamento na carcaça.
De acordo com o gerente do Pró-Genética da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Lauro Fraga, com essas características comprovadas é possível identificar quem são os melhores pais e quais desses animais serão os melhores pais. Ele afirma que a prova possui um alto valor técnico, pois avalia animais da mesma faixa etária, do mesmo sexo, da mesma raça e no mesmo ambiente na fase da recria. Mede o ganho pós desmama, ou seja, o ganho que depende exclusivamente só do animal e não mais da produção de leite de sua mãe.
O gerente esclarece que a prova promove a interação de criadores com variabilidade genética, pois reúne várias linhagens de animais participando. “Mostra a realidade da fazenda, com o período de fartura do capim, na fase das águas e com restrição na qualidade nutricional e na oferta do volumoso, na fase da seca”, explica. O gerente acrescenta ainda que o resultado da classificação dos animais como elite, superior, regular ou inferior é importante, pois existe comprovação científica de que touros elites e superiores produzem bezerros muito melhores do que os regulares e inferiores.
As provas de ganho de peso fazem parte do Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas (PMGZ) da ABCZ. Em Patos de Minas, a PGP foi implantada em parceria com a EPAMIG, Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam), Sindicato dos Produtores Rurais. Conta com o apoio da EMATER-MG e Instituto Mineiro Agropecuário (IMA). A prova foi endossada pelo vice-governador do estado de Minas Gerais, Antônio Andrade e pelo secretário de estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Cruz, durante o Encontro Técnico do Produtor Rural, na Fenamilho 2016.
A próxima pesagem será dia 09 de setembro. Haverá mais três pesagens intermediárias (04/11/2016, 30/12/2016, 24/02/2017) e a última, que será em 21 de abril de 2017.
Fonte e foto: EPAMIG
