Zema envia à Assembleia Legislativa reajuste salarial de 10,06% dos servidores sa saúde e segurança pública
Aumento de 10,06% será pago de forma retroativa aos servidores da Segurança Pública e Saúde; texto define ainda pagamento de quatro parcelas anuais do abono fardamento ou auxílio vestimenta
O Governo de Minas envia nesta sexta-feira (11/3) Ã
Assembleia Legislativa de Minas substitutivo ao projeto de lei que prevê o
reajuste salarial dos servidores públicos estaduais. O novo texto estabelece o
pagamento do reajuste de 10,06% nos vencimentos de forma retroativa a janeiro
de 2022 para os servidores da Saúde e da Segurança Pública, assim como já havia
sido previsto para a Educação.
Outra alteração no texto é o acréscimo de mais uma parcela do abono fardamento
ou auxÃlio vestimenta para as forças de segurança, além das três já anunciadas
pelo Governo de Minas em fevereiro. Assim, em relação à forma atual, passam a
ser pagas quatro parcelas do abono, em vez de uma, nos meses de fevereiro,
maio, agosto e novembro. Cada uma das parcelas equivale a 40% da remuneração
básica do soldado, cerca de R$ 2.000.
Ou seja, a medida permitirá aos militares, policiais civis e penais e ao agente
de segurança socioeducativo um auxÃlio quatro vezes maior do que o pago em
2021, chegando a cerca de R$ 8 mil/ano. Em 2022, de forma excepcional, o
primeiro abono será pago até 30 dias após a sanção do substitutivo.
O governador Romeu Zema explicou, durante coletiva à imprensa nesta
sexta-feira, que o novo projeto foi construÃdo dentro das limitações
orçamentárias e fiscais do executivo mineiro. Mas, segundo ele, o objetivo é
garantir o reajuste para todo o funcionalismo público, incluindo servidores
ativos, inativos e pensionistas da administração direta e indireta do
Estado.
“Nos últimos dias tivemos uma série de reuniões, fizemos um grande esforço para
melhorarmos as propostas aos servidores públicos sem inviabilizarmos as contas
do Estado e sem descumprir a lei, lembrando que Minas Gerais ainda tem um gasto
com pessoal que excede o que a legislação permite. Isto nos deixa restrito a
concedermos um reajuste de 10,06%, que é o IPCA do ano passado. É um reajuste
para todos os servidores, são mais de 600 mil pessoas impactadas. Estamos
fazendo um grande avanço em um momento em que estamos vendo o custo de vida
aumentando. É um respeito com todos, um tratamento justo para todosâ€, afirmou o
governador.
Zema ainda lembrou que a última recomposição salarial para todo o funcionalismo
mineiro foi em 2011 e reafirmou que o seu compromisso é continuar com o
trabalho para equilibrar as contas e para que o Estado siga avançando nas
polÃticas públicas e no desenvolvimento social e econômico, depois de anos
estagnado.
“O meu compromisso é com os 21 milhões de mineiros, acima de tudo. Não vou
deixar faltar medicamento para ninguém, não vou deixar nenhuma escola sem merenda
como já aconteceu no passado e também vou respeitar o servidor público, pagando
em dia aquilo que é de direito deles. Porque já assistimos no passado que isto
não foi respeitado. Fico satisfeito em fazer aquilo que ficou 11 anos suspenso
em Minas, um reajuste para todos os servidores. Dentro do contexto do Brasil e
diante das dificuldades de Minas Gerais, que é o estado em pior situação
financeira, eu diria que estamos fazendo algo representativoâ€, finalizou Romeu
Zema.
BenefÃcios
Com a sanção, esta semana, da Lei Complementar 191/2022, será possÃvel retomar, ainda, os pagamentos de benefÃcios que ficaram prejudicados pela decisão do Supremo Tribunal Federal a respeito da Lei Complementar 173/2020 para servidores públicos civis e militares da Saúde e Segurança. Os pagamentos correntes passarão a ser feitos na próxima folha. Os valores retroativos, uma vez que os pagamentos foram autorizados pela LC 191 a partir de 01 janeiro de 2022, serão pagos em folha extra.
Urgência
A secretária de Estado de Planejamento e Gestão, LuÃsa Barreto,
informou que o substitutivo ao projeto de lei de reajuste deverá ser analisado
em regime de urgência pelo Legislativo. Para isso, ainda nesta sexta-feira será
enviado o pedido de retirada da urgência do projeto do Regime de Recuperação
Fiscal (RRF).
“Enviaremos duas mensagens à ALMG. Uma mensagem diz respeito ao substitutivo ao
projeto de lei que já enviamos, e que ainda não está tramitando na Casa, do
pagamento retroativo a janeiro do reajuste de 10,06% para todos os servidores
da Forças de Segurança e da Saúde que prestaram um trabalho valoroso durante a
pandemia e que sempre prestaram um trabalho de excelência à população de Minas
Geraisâ€, explicou.
A secretária também explicou que o abono fardamento será pago nos meses de
fevereiro, maio, agosto e novembro. “A parcela de fevereiro será paga 30 dias
após a sanção da lei. Portanto, todos os servidores da Segurança receberão,
ainda neste ano, quatro parcelas de abono fardamentoâ€, disse.
A outra mensagem que será enviada à ALMG é referente a
retirada do Regime de Urgência do projeto de lei do Regime de Recuperação
Fiscal (RRF) para que possa ter a máxima celeridade na avaliação e aprovação do
projeto de lei sobre a recomposição de perdas inflacionárias a todos os
servidores de Minas Gerais no percentual de 10,06%.
LuÃsa enfatizou que o percentual é o que Lei de Reponsabilidade Fiscal (LRF)
permite fazer. Ela explicou que alguns estados conseguem fazer reajustes com
percentuais diferentes porque não estão com a folha de pagamento acima do
limite estabelecido pela LRF.
“O Governo de Minas fez todo o seu esforço dentro do que a lei permite. Durante as negociações deixamos claro que não poderÃamos chegar a um termo que não fosse dentro do cumprimento da leiâ€, finalizou.
União das Forças de Segurança
Além do governador e da secretária de Planejamento e Gestão, os comandantes das
Forças de Segurança participaram da coletiva à imprensa e demonstraram apoio ao
projeto.
De acordo com o secretário de Estado de Justiça e
Segurança Pública, Rogério Greco, o governo chegou ao limite. “Nós
fizemos de tudo para oferecer o melhor aos servidores. O nosso melhor chegou no
dia de hoje, porque temos uma limitação que é a Lei de Responsabilidade Fiscal,
e ninguém aqui no governo quer praticar nenhum tipo de ilegalidadeâ€, ressaltou.
O secretário afirmou que é importante que as tropas entendam que é preciso voltar a desenvolver um bom trabalho e progredir. “O sistema prisional deve voltar à sua regularidade. É importante que as tropas tenham essa compreensão para que o serviço aconteça da mesma forma que acontecia antes dessas movimentaçõesâ€, disse.
O comandante-geral da PolÃcia Militar de Minas Gerais (PMMG),
coronel Rodrigo Sousa Rodrigues, reafirmou que houve um intenso processo de
negociação e diálogo na busca de uma proposta que pudesse ir ao encontro dos
anseios da segurança pública e também do governo.
“A proposta apresentada e colocada aqui é fruto desse intenso estudo, e
chegou-se ao limite constitucional legal, que é a lei de responsabilidade
fiscal. Assim, eu queria me dirigir a nossa população e dizer que ela pode e
vai continuar contando com a PolÃcia Militar de Minas Gerais, a melhor
polÃciaâ€, disse.
O comandante da PMMG também se dirigiu à tropa. “Eu queria dizer a cada um dos
senhores que conto com a compreensão de vocês e espero que reconheçam que todo
o esforço possÃvel foi feito, e aqui estamos com uma solução aceitável para o
momento. Diante da legalidade, é o melhor que pode ser feito. O melhor que pode
ser feito está aquiâ€, afirmou.
Compromisso
Já o comandante-geral do Corpo de Bombeiro Militar de Minas Gerais (CBMMG),
coronel Edgard Estevo, explicou que, após inúmeras reuniões, ficou claro que o
Governo de Minas chegou ao limite do que é legal e ao limite do que é a
condição financeira do Estado.
“O que é possÃvel para este ano é o que está colocado aqui. É preciso que todos
os mineiros e integrantes das Forças de Segurança entendam que chegamos no
limite do que é possÃvel. Quero deixar claro, também, que nós, bombeiros
militares, temos consciência da nossa responsabilidade, competência
constitucional e compromisso com a segurança pública e continuaremos fazendo
nosso trabalho nas ruas, fazendo socorro, salvamento, prevenção e atendimento
pré-hospitalarâ€, explicou.
Para o chefe da PolÃcia Civil de Minas Gerais (PCMG),
Joaquim Francisco Neto e Silva, é importante reconhecer que o paÃs vive um
momento desafiador e que o Estado passa por dificuldades financeiras sérias.
“E é crucial, ainda assim, valorizarmos os nossos policiais civis e os nossos
servidores administrativos, da PCMG, que viveram intensamente nos últimos dias
e acompanharam as nossas aflições. Foram muitas reuniões, conversas, análises
de cenário para que o melhor fosse apresentado aos nossos profissionais que
tanto edificam a nossa instituiçãoâ€, disse.
Assim como os demais comandantes, Joaquim fez um pedido a todos os dirigentes de órgãos e de unidades da PolÃcia Civil distribuÃdos pelo estado.
“Que vocês garantam a normalidade da prestação dos
serviços, elucidam crimes, como sempre fizeram, realizando um belo serviço de
polÃcia judiciária. Para que a nossa instituição continue sendo um patrimônio
dos mineiros. Contamos com todos os nossos profissionais que, de mão
dadas, tragamos a normalidade ao nosso Estadoâ€, afirmou.
Demais categorias
A recomposição salarial de 10,06%, que equivale à inflação registrada no ano de
2021 e medida pelo IPCA, será a mesma para todos os servidores e será paga a
partir da folha de maio – quitada em junho.
O reajuste da ajuda de custo anunciado pelo governo já foi estabelecido em
resolução publicada em fevereiro. Ele será pago em folha extra, ainda em março,
retroativo aos dias trabalhados em fevereiro. O aumento representa cerca de
60%, para os servidores que recebiam R$ 47 e poderão passar a receber R$ 75,
mediante a pactuação de metas e indicadores pelos órgãos e entidades do Poder
Executivo.
O impacto total das medidas anunciadas para o funcionalismo estadual é de R$
4,99 bilhões por ano aos cofres estaduais.
