Piracema começa nesta sexta-feira com proibição de pesca de espécies nativas em Minas
Período é determinante para manter estável a saúde do ecossistema das bacias
Começa nesta sexta-feira (1/11) a restrição de pesca nas Bacias Hidrográficas do Leste de Minas Gerais e dos rios Grande, ParanaÃba e São Francisco. A limitação na atividade vai até 28 de fevereiro de 2020, devido à vigência da Piracema, perÃodo de reprodução de peixes. Durante o ciclo, a pesca de nativos das três bacias fica proibida.
As regras para pescaria neste perÃodo são definidas pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) nas portarias 154, 155 e 156, de 2011. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) já deu inÃcio à fiscalização preventiva para coibir a pesca ilegal.
Durante a Piracema, só pode haver pesca de espécies alóctones, exóticas, hÃbridas e autóctones - todas não nativas, e no limite de três quilos diários. A pesca também só pode ser realizada em trechos com distância mÃnima de mil metros a montante e a jusante dos rios, represas, barragens e lagoas. Isto porque, na Piracema, as cabeceiras dos mananciais são o destino dos peixes para a reprodução.
Os equipamentos permitidos pela normativa do IEF durante o perÃodo são linha de mão com anzol, vara, caniço simples, carretilha ou molinete de pesca, com iscas naturais ou artificiais. Fica proibido o uso de redes e explosivos, instrumentos que, em perÃodo de reprodução dos peixes e de espécies em risco de extinção, causa a diminuição de populações inteiras de peixes, frutos do mar e até mesmo de plantas pertencentes ao ecossistema. Para portar o pescado e equipamento de pesca, no entanto, ainda que autorizado, é importante que o pescador mantenha a licença atualizada.
De acordo com o analista ambiental do IEF, Vitor Almeida, a Piracema é determinante para manter estável a saúde do ecossistema das bacias. “É uma folga para que a natureza faça seu trabalho de reprodução, recomposição, e também para que o pescador consiga aumentar seu estoque pesqueiro. Sem a Piracema, o impacto comercial e ambiental é maior e, ao longo do tempo, o recurso pode ficar escassoâ€, alertou.
Ele afirma ainda que o perÃodo é importante para manter o equilÃbrio nas bacias. Para garantir a naturalidade do perÃodo reprodutivo das espécies e por consequência este equilÃbrio, fiscais da Semad vão fazer blitzen e ações de inspeção em locais já conhecidos pela intensa atuação de pescadores e em peixarias.
As ações serão realizadas ainda no Alto Médio São Francisco. Kamila Esteves, da Diretoria de Fiscalização da Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram) Alto Médio São Francisco, destaca que as ações ocorrem em parceria com a PolÃcia Militar do Meio Ambiente. “Também são fiscalizados os comércios, pois há espécies que não podem ser comercializadas neste perÃodo em razão da proibição. Por isso, também é importante o comércio de pescado ter as notas fiscais para apresentaçãoâ€, reforça.
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A Piracema ocorre todos os anos e coincide com o inÃcio da temporada de chuva. Para evitar uma multa que pode ultrapassar R$ 1 mil, pescadores amadores devem portar a carteira de pesca. O documento pode ser obtido a partir do preenchimento do formulário disponÃvel neste link.
A carta também pode ser adquirida em unidades do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos HÃdricos (Sisema). Já quem comercializa, explora, industrializa e armazena peixes deve se registrar no IEF. Os estoques de peixe in natura, congelados ou não, provenientes de águas continentais, existentes nos frigorÃficos, peixarias, colônias e associações de pescadores, devem ser informados ao órgão.
A exigência também incide sobre os estoques armazenados por pescadores profissionais, entrepostos, postos de venda, depósitos e câmaras frias, em posse de feirantes, ambulantes, bares, restaurantes, hotéis e similares. Outras informações sobre as regras durante o perÃodo da piracema podem ser consultadas no site do IEF: www.ief.mg.gov.br.
