Setor de frutas e hortaliças pede políticas específicas para reduzir perdas e aumentar competitividade
Cadeia de produtos perecíveis cobra melhorias em crédito, seguro rural, irrigação, logística, refrigeração e acesso a mercados.

O setor de frutas, legumes e verduras (FLV) defende a criação de políticas públicas específicas para uma cadeia que enfrenta desafios diferentes dos grandes segmentos de commodities agrícolas. Por serem produtos perecíveis, frutas e hortaliças podem perder qualidade e valor comercial em pouco tempo após a colheita.
Representantes do setor afirmam que a rentabilidade não depende apenas da produtividade no campo. A conservação dos produtos depois da colheita, o transporte, a armazenagem, a refrigeração e a velocidade de comercialização também são determinantes para o resultado do produtor.
Entre as principais demandas estão linhas de crédito adaptadas à horticultura, seguro rural específico, investimentos em irrigação, cultivo protegido, estruturas de pós-colheita, câmaras frias e centros de distribuição. O setor também cobra redução da burocracia para acesso à água, além de investimentos em pesquisa, tecnologia e defesa fitossanitária.
Produtos perecíveis exigem rapidez
Segundo representantes da cadeia, o tempo é um dos principais fatores que determinam a rentabilidade. A demora no transporte, na armazenagem ou nos procedimentos de fiscalização pode comprometer a qualidade dos produtos e reduzir o preço recebido pelo produtor.
A situação é ainda mais sensível no caso das exportações. Problemas em rodovias, portos e aeroportos, além da falta de estruturas adequadas para produtos refrigerados, podem aumentar custos e provocar perdas antes mesmo que as mercadorias cheguem ao destino.
O setor também aponta dificuldades relacionadas à fiscalização nos pontos de embarque. A avaliação é de que a falta de estrutura e de profissionais pode atrasar operações e prejudicar produtos que precisam ser transportados rapidamente.
Perdas afetam produtores e consumidores
O desperdício é outro dos principais problemas apontados pela cadeia. Estimativas citadas pelo setor indicam que cerca de 30% da produção brasileira pode ser perdida entre a colheita e o consumo.
Além de reduzir a renda dos produtores e empresas, as perdas também podem contribuir para o aumento dos preços dos alimentos para o consumidor.
Por isso, representantes defendem investimentos em cadeia fria, logística, armazenagem e tecnologia para preservar a qualidade dos produtos por mais tempo.
Setor cobra mais planejamento
Outra preocupação é a falta de integração entre os diferentes elos da cadeia. Produtores, empresas, varejistas, exportadores e instituições de pesquisa nem sempre trabalham de forma coordenada, segundo representantes do setor.
A defesa é de maior utilização de dados sobre oferta, demanda e comportamento do consumidor para orientar a produção. A ideia é que os produtores tenham informações antecipadas sobre quais produtos, variedades, volumes, embalagens e certificações terão maior demanda.
Exportações também estão no radar
O setor também defende a ampliação dos mercados internacionais para as frutas brasileiras. A abertura de novos destinos depende de acordos comerciais, mas também de investimentos em defesa fitossanitária e promoção comercial.
Um dos exemplos citados é o mercado europeu para as uvas brasileiras. Com o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a fruta passou a entrar no bloco europeu sem tarifa a partir de 1º de maio de 2026.
Representantes do setor avaliam que medidas desse tipo podem aumentar a competitividade brasileira, mas ressaltam que é necessário manter investimentos em controle de pragas, fiscalização e estrutura logística.
Políticas específicas
As entidades ouvidas defendem que frutas, legumes e verduras sejam consideradas de forma específica nas políticas agrícolas, já que apresentam ciclos de produção, riscos e necessidades diferentes das grandes culturas de grãos.
Entre as propostas estão uma política nacional voltada à competitividade e à promoção dos produtos frescos, com metas, orçamento e participação dos diferentes setores da cadeia.
A avaliação é de que aumentar a produtividade não significa apenas produzir mais. Para o setor, é necessário garantir que uma parcela maior dos alimentos colhidos chegue ao consumidor com qualidade e valor comercial preservados.
