85% dos brasileiros dizem que educação de baixa qualidade compromete o crescimento econômico
Pesquisa da CNI mostra que a população acha que alunos passam pouco tempo na escola e recomenda a ampliação da oferta do ensino médio articulado com formação profissional
Os brasileiros acreditam que a baixa qualidade da educação prejudica o crescimento econômico, e dizem que o Brasil precisa melhorar o ensino de português e matemática, além de ampliar a oferta de cursos que combinem educação de nível médio com formação profissional. As conclusões estão na Pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira - Educação Básica, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o levantamento, 85% da população concorda que a baixa qualidade da educação compromete o desenvolvimento do país. Entre os que recebem mais de dez salários mínimos, esse número sobe para 98% e fica em 84% entre os entrevistados cuja renda familiar é de até um salário mínimo.
A percepção da população sobre a importância da qualidade da educação para a o crescimento econômico reforça a visão dos empresários sobre o tema. O Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 identifica a educação de qualidade como a base para elevar a competitividade do país. "A baixa escolaridade dos brasileiros e a baixa qualidade da educação comprometem a capacidade do trabalhador para compreender, utilizar, adaptar e desenvolver novas tecnologias e métodos de produção. Isso impede o aumento da produtividade", diz o gerente executivo da Unidade de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca. "A educação de qualidade favorece a inovação nas empresas e é fundamental para o exercício da cidadania", completa Fonseca.
A pesquisa mostra que 71% consideram que os alunos do ensino fundamental e médio passam pouco tempo na escola. Além disso, para 64% da população, a escola cumpre cada vez menos com o papel de ensinar disciplinas essenciais, como português e matemática. Na análise de 17 disciplinas, os entrevistados apontam o português e a matemática como as mais importantes nos ensinos fundamental e médio. Em ambos os casos, as duas disciplinas tiveram mais de 80% das menções, em questão de múltipla escolha.
Em seguida, para o ensino fundamental, foram citadas ciências (74%), história (73%), inglês (70%) e geografia (69%). No ensino médio, as disciplinas consideradas mais importantes, depois de português e matemática, são ciências (77%), história (76%), geografia (75%), química (74%), inglês (74%) e biologia (73%).
TRABALHO E RENDA - Além de falhar no ensino de português e matemática, os brasileiros acham que a escola não prepara para o mercado de trabalho. Apenas, 14% dos entrevistados acham que os alunos formados no ensino médio são bem preparados para o trabalho. No ensino superior, esse número sobe para 23%.
Por isso, a população defende o aumento da oferta de ensino médio conjugado com educação profissional. Entre os entrevistados, 89% concordam total ou parcialmente que o país precisa oferecer mais cursos de ensino médio que também ensinem uma profissão. Entre as pessoas com renda superior a 10 salários mínimos, esse percentual sobe para 98%. Entre os que recebem menos de um salário mínimo, 87% sugerem a ampliação dos cursos articulados.
"Ampliar a oferta dos cursos com conteúdos e práticas alinhadas com a demanda das empresas abrirá um leque de oportunidades e facilitará a vida dos jovens brasileiros, que hoje enfrentam dificuldades para encontrar o primeiro emprego, justamente porque não têm uma educação voltada para o mundo do trabalho", diz o diretor de Educação e Tecnologia da CNI, Rafael Lucchesi. Levantamento feito pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) mostra que 72% dos ex-alunos dos cursos técnicos conseguem trabalho no primeiro ano depois da formatura. E mais, a renda das pessoas com curso técnico é, em média, 24% maior do que a dos demais trabalhadores.
A pesquisa da CNI revela ainda que, na avaliação da população, a renda pessoal depende do grau de escolaridade. A maioria das pessoas (53%) concorda total ou parcialmente que a renda de uma pessoa será maior quanto mais anos de educação ela tiver. Apenas 10% discordam total ou parcialmente da afirmação. O número dos que concordam total ou parcialmente é de 94% entre quem tem renda superior a 10 salários mínimos e de 76% entre os que ganham até um salário mínimo.
