Presidente da FIEMG, faz uma análise dos posicionamentos diante da crise
Confira a palavra do Presidente, Olavo Machado Junior
É cada vez mais preocupante o noticiário sobre a crise politica e econômica, sobre o posicionamento dos principais atores nela envolvidos e dos seus compromissos com os reais interesses do país. No campo da economia, o consenso é de que a situação é mesmo grave, com os principais indicadores derretendo-se a cada nova estatística divulgada. Na política, não é diferente e o sentimento é de que caminha-se aceleradamente para o ponto de ruptura.
As manchetes mostram que os atores em condições de jogar água na fervura preferem atirar cada um para um lado – e sempre o lado de interesses pessoais ou de grupos. E isso ocorre justo no momento em que o Brasil mais precisa da união de suas lideranças. O que se vê proliferar é o fisiologismo e o corporativismo mais nefastos.
A impressão é de que se conspira abertamente contra o país. Em ensandecida abstração da realidade, o governo insiste no aumento de impostos, cassando as desonerações concedidas pouco tempo atrás. Aventa-se a volta da CPMF, imposto reprovado pela sociedade e banido pelo Congresso Nacional, em votação histórica - e também já se fala no aumento do imposto de renda. Com mais tributos, menos produção, menos geração de riqueza e, mais grave, menos empregos - aos milhares, aos milhões.
Na base aliada, que esteve com o governo nos últimos 13 anos, apropriando-se das benesses do poder e dos cargos nos primeiros escalões, vê-se agora o “dar de ombros”, como a dizer: “isso não é comigo”. E o complemento conspiratório: o “país precisa de um líder forte e reconhecido o suficiente para liderá-lo nesta crise”. E mais: “nenhum governo com 7% de aprovação vai suportar três anos e meio de pressão”. Com amigos assim, inimigos são desnecessários.
Até as oposições se dividem – e se enfraquecem. Uns defendem a anulação das eleições, pois esta é a solução que mais lhes interessa, na medida em que seriam afastados a presidente e o seu vice. Alguns preferem o impeachment, pois o veem como o atalho mais curto até o Palácio do Planalto. Outros jogam todas as fichas na manutenção da situação atual, pois precisam de prazo para executar suas estratégias visando a sucessão presidencial em 2018. Neste tiroteio, o ministro Joaquim Levy, embora ainda fiador de alguma estabilidade na política e na economia, ameaça desembarcar desta canoa cheia de furos. O ministro, na verdade, é mais afinado com o setor financeiro do que com a produção e o desenvolvimento. O fato é que nenhuma destas estratégias contempla os reais interesses do Brasil e dos brasileiros.
Neste cenário, a realidade bate à porta: o Boletim Focus, publicação elaborada pelo Banco Central com base na análise das cem maiores instituições do mercado financeiro, aponta a cada semana, desde o começo do ano, o definhamento das projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), de 2015, já dois pontos percentuais abaixo de zero. Os demais indicadores vão pelo mesmo caminho: a inflação projetada para este ano já supera os 9%, mais que o dobro do centro da meta prometida aos brasileiros pelo governo. E os juros seguem campeões na “Copa do Mundo dos Juros Altos”, na faixa de 14,25% e sem perspectivas de redução.
Quem paga a conta são os trabalhadores, que vão perdendo seus lugares nas empresas mortas por asfixia. De swap em swap, sem nenhum benefício para o país, aumenta-se a dívida pública, que, somada aos gastos com a previdência, já consome cerca de 70% dos recursos do orçamento da União.
Neste caos, a única solução que o governo vê, ignorando as poucas coisas que dão certo no país, é a apropriação dos recursos do Sistema S, como se eles fossem administrados da forma temerária como é gerido o dinheiro público. Apenas para reafirmar que, definitivamente, não é assim, lembro que, concorrendo com estudantes do mundo inteiro na WorldSkills Competition 2015, alunos do SENAI de todo o país, cujos estudos são financiados exatamente com recursos do Sistema S, conquistaram 26 medalhas – 11 de ouro (duas de Minas), 9 de prata (três de Minas), 6 de bronze (2 de Minas) e 11 certificados de excelência (4 de Minas). Com estes números, o Brasil sagrou-se campeão mundial em educação profissionalizante. No ENEM, as escolas do SESI Minas Gerais conquistaram 9 dos 10 primeiros lugares na comparação com escolas do SESI de todo o país.
Os brasileiros tem sido generosos com suas lideranças - primeiro ao elegê-las e, depois, ao conceder-lhes oportunidades para corrigir seus erros. Hoje, o que o Brasil mais precisa é da união de seus líderes – políticos, empresários e de todos os segmentos da sociedade – em um mutirão patriótico de reconstrução do país.
Não há mais lugar para espertezas, para o fisiologismo, o corporativismo, o populismo e a demagogia. O governo que está no poder, e nele quer permanecer, precisa dizer à sociedade quais são os seus planos para corrigir os próprios erros – o que tem dito e feito até agora não é suficiente. Quem atua politicamente por mudanças, também deve apresentar os seus planos, o que até agora não fez. Compromissos vazios não valem mais.
" O governo precisa dizer à sociedade quais são seus planos para corrigir os próprios erros.
O que tem dito e feito até agora não é suficiente".
