No Dia da Saúde e Nutrição, conheça os mitos e verdades em rótulos de alimentos
Saber se informar por meio dos rótulos permite fazer escolhas conscientes, garantindo uma alimentação mais equilibrada
Você sabe exatamente o que ingere quando compra um
produto industrializado? O quanto de açúcar ou de sódio faz parte da composição
dos alimentos? Neste Dia Nacional da Saúde e Nutrição (31/3), a Fundação
Ezequiel Dias (Funed) esclarece sobre a importância da leitura
atenta dos rótulos dos alimentos para saber o que de fato será consumido. O
trabalho realizado na Divisão de Vigilância Sanitária e Ambiental (Divisa) da
Funed, pelo Serviço de Análise de Rotulagem (Sarot), abrange a análise de
rotulagem para verificar se as informações descritas nos rótulos são
verdadeiras e podem ser declaradas.
Para a chefe do Serviço de Análise de Rotulagem, Valéria Regina Martins Vieira,
é importante ter consciência das informações presentes nos rótulos e ser capaz
de fazer escolhas mais conscientes, de forma a ter uma alimentação mais
equilibrada. "O aumento do consumo dos alimentos ultraprocessados hoje é
uma realidade, bem como o das doenças crônicas não transmissÃveis, a exemplo da
obesidade, diabetes e hipertensão. E o rótulo do alimento é um importante
aliado, sendo interessante verificar itens como a lista de ingredientes e a
composição nutricional do alimentoâ€, afirma Valéria.
A Funed fez parte do grupo técnico para discussão da rotulagem nutricional,
junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nesse trabalho,
foram elencados os principais pontos de melhoria para a rotulagem nutricional,
visando a compreensão das informações no rótulo. Para facilitar essa
compreensão, a partir de outubro deste ano, o fabricante será obrigado a
informar, no rótulo, o alto teor de três nutrientes: açúcares adicionados,
gorduras saturadas e sódio, por meio de um destaque na parte frontal do rótulo,
acompanhado de uma lupa. "Tais informações irão auxiliar o consumidor com
escolhas mais conscientes", ressalta a chefe do Sarot.
Uma outra ação realizada pela fundação é referente ao projeto Análise de
Açúcares, cujo objetivo é padronizar as metodologias para serem utilizadas em
laboratórios oficiais, para determinação de açúcares e seus teores em alimentos
industrializados. O Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde
(Opas) também fazem parte desse projeto. O trabalho envolve a análise de
rotulagem, validação de metodologias e a determinação de açúcares totais nos
produtos, tais como: bebidas adoçadas (refrigerantes, néctares e refrescos),
biscoitos (waffers ou doces, com e sem recheio), bolos e misturas, lácteos
(bebidas lácteas, iogurtes, leites fermentados e Petit Suisse) e
achocolatados em pó. As atividades estão em andamento e a previsão para a
conclusão é em agosto deste ano.
Mitos e verdades sobre os rótulos
Como forma de conscientizar a população sobre a importância da saúde e da boa
alimentação, Valéria Vieira esclarece alguns mitos e verdades sobre os rótulos:
Barrinha colorida no rótulo de leite indica que o produto venceu e voltou ao
mercado.
Mito! Essa informação não passa de uma fake news que circulou nas
redes sociais. A barra colorida, de acordo com a Tetra Pak, é apenas um teste
de cores realizado para garantir a qualidade de impressão das embalagens.
O primeiro ingrediente que vem na lista é o que tem mais no produto.
Verdade! Isso porque a legislação prevê que a lista de
ingredientes deve ser declarada em ordem decrescente, ou seja, sempre do que
tem mais para o que tem menos no produto.
Produtos com transgênicos não precisam mais do selo de identificação.
Mito! Todo alimento ou ingrediente que contiver mais de
1% de organismo geneticamente modificado (OGM), deve informar sobre a natureza
transgênica do produto, por meio de sÃmbolo próprio.
Olhar o valor energético é suficiente para saber se um alimento engorda?
Mito! A obesidade possui causas multifatoriais e tem
relação com fatores genéticos, estilo de vida, prática de atividade fÃsica e
alimentação. Então, não adianta focar somente em calorias e não vale a pena
tomar muito refrigerante zero porque não tem calorias, mas, em contrapartida,
possui muitos produtos quÃmicos na lista de ingredientes e também deve ser
evitado. O ideal é priorizar o consumo de alimentos in natura e minimamente
processados para uma alimentação saudável.
Alimentos diet e light são diferentes?
Verdade! Os produtos diet servem para atender uma
patologia especÃfica. Para isso, retira-se um tipo de nutriente, seja ele
carboidrato, gordura, proteÃna ou sódio. É mais comum a substituição de açúcar
por adoçante. Já os alimentos light geralmente possuem redução de 25% de valor
energético ou de algum nutriente como gordura ou açúcar, quando comparado com
um alimento de referência do mercado.
Olhar somente a tabela nutricional não é suficiente para saber toda a
composição nutricional da embalagem.
Verdade! A tabela nutricional atual obriga o fabricante a declarar uma porção, mas nem sempre a pessoa consome somente uma porção do alimento. Por exemplo, uma porção de biscoito recheado são três unidades. Em um pacote, podem vir 15 biscoitos. Se a pessoa consumir um pacote inteiro, estará consumindo 5 porções. Então se for 140 kcal/porção, comendo o pacote inteiro serão 700 kcal consumidos! Mas a boa notÃcia é que as informações ficarão mais claras. Isso porque a nova legislação de rotulagem nutricional entrará em vigor em outubro deste ano e, com ela, será obrigatório declarar a quantidade de porções do pacote todo.
