Homofobia e transfobia: crimes que ainda fazem vítimas no Brasil
Em 2025, houve 257 mortes violentas registradas, média de uma morte a cada 34 horas
A homofobia e a transfobia continuam fazendo vítimas em todo o país. Apesar de ser crime no Brasil desde 2019, os números seguem alarmantes e os preconceitos ainda marcam a vida de muitas pessoas. Por trás de cada estatística, existe uma história interrompida.
Em cada caso de discriminação existe um sonho adiado e uma pessoa que deseja viver com a liberdade de ser aceita como é. Apesar da homofobia e da transfobia serem equiparadas ao crime de racismo, não tem sido o suficiente para inibir a quantidade de casos por ano.
“A Lei n° 7.716 também passou a ser aplicada para os crimes de homofobia, só que nem todos os crimes por intenção homofóbica serão penalizados com base nesta lei”, explicou o advogado Fabiano Dias.
Realidade
Dados de monitoramento apontaram que o Brasil segue entre os países com mais registros de mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ no mundo. Apenas no ano passado, houve 257 mortes violentas registradas, mantendo uma média de uma morte a cada 34 horas.
Para quem vive esta realidade, o preconceito muitas vezes começa cedo e se manifesta em olhares, ofensas e exclusões. Desde nova, Samira Antunes sentia que era diferente. Aos 25 anos, iniciou a transição e relatou como é lidar todos os dias com a dura realidade.
“Embora a minha transição de gênero tenha sido tardia, eu já me identificava de uma forma diferente desde os quatro anos. Eu sofri diversas formas de preconceito, seja homofóbico ou transfóbico. Desde criança caçoavam por eu ser diferente”, contou Samira.
Inspiração
Para Matheus Castro, homem trans, ele tenta utilizar a própria história para inspirar outras pessoas da comunidade. Segundo ele, existe uma angústia até a descoberta, mas o único caminho a seguir é poder continuar vivendo, independente de ser aceito ou recebido.
“Eu tive um apoio muito grande dos meus amigos e isso me fortaleceu, me deixou tranquilo para seguir e, desde então, venho fazendo alguns movimentos na cidade para tentar reunir a comunidade trans e LGBTQIA+”, comentou Matheus.
A criminalização foi um passo importante, mas o combate à violência também deve passar pela educação de gênero, políticas públicas e conscientização da sociedade. Pessoas não são apenas números, são vidas que podem ser perdidas e marcadas pela intolerância.
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