População deve ficar alerta para cuidados durante o período de chuvas

O contato com a água de enxurradas e enchentes podem causar leptospirose, hepatites infecciosas, diarreias agudas, febre tifóide, entre outras doenças

por Odair Cardoso
Fonte: Odair Cardoso (*) Agencia Minas
20/12/2018 - 16h10

Patos Já - População deve ficar alerta para cuidados durante o período de chuvas

O verão começa nesta sexta-feira (20) e além do aumento da temperatura, ocorre também a possibilidade de chuvas intensas e/ou prolongadas, enchentes e enxurradas. Esse cenário, sem os cuidados adequados, pode ser propício à proliferação de doenças, como leptospirose, hepatites infecciosas, diarreias agudas, febre tifóide, dengue, chikungunya, zika, doenças dermatológicas e respiratórias infecciosas. As informações são da Agência Minas.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) alerta para as medidas de segurança que são importantes para a população se proteger durante este período chuvoso. De acordo com a coordenadora de Vigilância em Fatores de Riscos Não Biológicos da SES-MG, Marina Caldeira, em situação de inundações e alagamentos, é importante evitar o contato com a água e lama contaminados.

“Quando o contato com a água ou lama for inevitável, a forma de reduzir os riscos à saúde é permanecer o menor tempo possível em contato com essas águas. Não permita que crianças brinquem ou nadem na água e na lama das enchentes. Pessoas que trabalharem na remoção e limpeza de lama, entulho e esgoto devem usar botas e luvas de borracha para evitar o contato da pele com a água e lama contaminados (se isto não for possível, usar plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés). Portanto, se ocorrer algum sintoma da enfermidade, é preciso procurar a unidade de saúde mais próxima e relatar ao médico sobre o contato com águas ou lama de enchente”, explica a coordenadora.

Se a enchente atingir as residências e estabelecimentos, após as águas baixarem, será necessário lavar e desinfetar o chão, paredes, objetos caseiros e roupas atingidas. Neste caso, mais uma vez recomenda-se retirar a lama protegido com luvas e botas de borracha ou sacos plásticos duplos, pois esta lama aderida aos móveis, paredes e chão, poderá ser a responsável pela transmissão de doenças.

É recomendado, ainda, lavar o local com água e sabão, desinfetando a seguir com a solução de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) na seguinte proporção: 400 ml ou dois copos “Lagoinha” (Tipo Americano) de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) para 20 litros de água. Esta solução pode ser utilizada para desinfecção de pisos, paredes e outras superfícies.

Cuidados com os alimentos

Já com relação aos alimentos, a diretora de Vigilância em Alimentos da SES-MG, Ângela Ferreira Vieira explica que é importante mantê-los devidamente acondicionados em recipientes fechados, fora do alcance de roedores, insetos e outros animais, e em lugares elevados, protegidos da água da chuva.

Alimentos como frutas, legumes, verduras, carnes, grãos, leites e derivados, que entraram em contato com as águas da enchente, precisam ser descartados mesmo que estejam embalados com plásticos ou fechados, pois, ainda assim, podem estar contaminados, alerta Ângela Ferreira Vieira.O mesmo vale para alimentos enlatados, quando as latas estiverem amassadas, enferrujadas ou semiabertas

“É indispensável lavar bem as mãos antes de preparar alimentos e se alimentar. Além disso, reforçamos que não se deve consumir água e alimentos que entraram em contato com as águas da inundação”, destaca a diretora de Vigilância em Alimentos.

Cuidados com a água

Se, durante a enchente, as pessoas não tiverem acesso à água tratada, Marina Caldeira destaca que será necessário realizar o tratamento caseiro da água disponível.

“A água usada para beber, para higiene pessoal e fazer comida deve ser tratada, antes do seu uso, da seguinte maneira: Filtrar ou coar a água com filtro doméstico, coador de papel ou pano limpo. Aplicar 2 (duas) gotas de hipoclorito de sódio a 2,5%, a cada 1 (um) litro de água. Deve-se aguardar 30 minutos após a aplicação para poder consumir a água” explica a coordenadora de Vigilância em Fatores de Riscos Não Biológicos.

Ainda de acordo com Marina Caldeira, na falta do Hipoclorito, é necessário filtrar e ferver a água a ser consumida. “Filtrar ou coar a água com filtro doméstico, coador de papel ou pano limpo. Ferver a água que você vai utilizar para consumo durante 5 minutos. Depois, ‘bater’ a água, passando o líquido de uma vasilha limpa para outra vasilha também limpa. Este procedimento de ‘bater’ a água fervida permite a sua oxigenação, melhorando o seu sabor”, orienta Marina Caldeira.

É importante destacar que é necessário lavar sempre as mãos e braços antes mexer com água, além de separar e utilizar uma vasilha limpa, com tampa, para armazenar a água tratada para beber.A água tratada com hipoclorito de sódio a 2,5% deve ser consumida no mesmo dia.

Prevenção à dengue, zika e chikungunya

A temperatura mais elevada e a chegada das chuvas são fatores que podem favorecer a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Os reservatórios de água, pequenos depósitos domiciliares (vasos, garrafas, recipientes de degelo em geladeiras), lixo e sucatas, são alguns dos mais frequentes focos do mosquito Aedes aegypti encontrados pelos agentes de endemias.

De acordo com a coordenadora do Programa Estadual de Controle das doenças transmitidas pelo Aedes, Márcia Ooteman, “as ações de controle do Aedes devem ser realizadas durante todo o ano, no entanto, devido ao período de chuvas, as ações precisam ser intensificadas.

Por isso, mais do que nunca, é fundamental a adoção de medidas simples que ajudem a evitar o acúmulo de água. E, caso seja necessário armazená-la, é fundamental tampar bem esses depósitos, de forma a evitar o contato do Aedes aegypti com a água e, com isso, a proliferação do vetor.

Alerta Chuva

Para conscientizar a população quanto aos cuidados necessários para manter a segurança e a saúde no período chuvoso, SES-MG conta com o site www.saude.mg.gov.br/alertachuva. Lançado em janeiro de 2018, o espaço nasceu de uma demanda da Vigilância em Saúde desta Secretaria que queria deixar de forma pública no site dicas de proteção à saúde no período chuvoso.


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