Caso de mulher que vivia em condições análogas a escravidão em Patos de Minas é mostrado pelo Fantástico.

por Redação Patos Já
21/12/2020 - 08h00

Patos Já - Caso de mulher que vivia em condições análogas a escravidão em Patos de Minas é mostrado pelo Fantástico.

Uma reportagem exibida na noite desse domingo (20) pelo programa, Fantástico da rede Globo, contou a história de Madalena Gordiano, de 46 anos, que foi libertada de um apartamento no Centro de Patos de Minas, após 38 anos vivendo em condições análogas à escravidão, desde os 8 anos de idade.

Auditores fiscais registraram que a mulher vivia em um quarto pequeno sem janelas, não tinha registro em carteira, salário mínimo garantido, férias, ou descanso semanal remunerado. A reportagem diz que ainda quando criança, Madalenas foi até a casa da professora, Maria das Graças Milagres Rigueira, pedindo um pão e que a mulher decidiu lhe adotar. A mãe de Madalena que não tinha condições de cuidar dos 8 filhos, concordou, mas a adoção nunca foi formalizada.

Madalena disse que cresceu ajudando a cuidar da casa e dos filhos da patroa, mas que depois de 24 anos, o marido de Maria das Graças passou a lhe rejeitar. Foi então que ela acabou sendo levada para a casa de um dos filhos do casal, Dalton Cesar Milagres Rigueira. Mas que ainda assim nada mudou. Um vizinho que não preferiu não se identificar, contou que a mulher continuou a trabalhar de domingo a domingo, sem salário e com jornadas que começavam antes do amanhecer.

A situação só mudou quando ela deixou bilhetes em baixo da porta de vizinhos pedindo pequenas quantias em dinheiro, para comprar materiais de higiene pessoal. Em depoimento, Dalton Rigueira, afirmou que Madalena se recusou a ocupar um quarto maior no apartamento. O professor também afirmou que foi ela que quis parar de estudar. E que ele não a incentivava a continuar com os estudos, porque não acreditava que ela se beneficiaria.

Ainda conforme a reportagem do Fantástico, em 2001 um tio da esposa de Dalton, se casou com Madalena, mas eles nunca moraram juntos. O homem morreu pouco tempo depois e deixou duas pensões, que hoje somadas passam de R$ 8 mil por mês. Madalena afirmou que nunca recebia este dinheiro, pois Dalton sempre controlou a sua conta bancária.

Dalton e Valdirene estão sendo investigados pelo MPT por submeter uma pessoa a condição análoga a escravidão e tráfico de pessoas, e apropriação indébita. A pena pode chegar a 20 anos de prisão. Maria das Graças, a primeira patroa, também pode ser responsabilizada, mesmo depois de 14 anos, uma vez que este tipo de crime não prescreve.

O advogado da família enviou mensagem para a emissora dizendo que, “A hipótese de trabalho escravo que envolve a Sra. Madalena não corresponde à realidade da relação que a mesma entreteve com a família dos investigados. A divulgação prematura e irresponsável, pelos fiscais e agentes do Estado, viola dados sensíveis daquela família e vulnera a segurança pessoal deles. Vive em um abrigo para mulheres vítimas de violência”.


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