Filho de mulher assassinada pelo ex-companheiro se pronuncia sobre o caso

Gustavo Miranda, 21 anos, contou detalhes sobre a relação do pai com a mãe e da falta que a mulher faz na vida da família

por Paula Mota
12/05/2022 - 15h30

Patos Já - Filho de mulher assassinada pelo ex-companheiro se pronuncia sobre o caso

O filho mais velho de Keila Cristina Miranda, assassinada pelo ex-marido no dia 29 de abril, em uma loja no bairro Sebastião Amorim, se pronunciou sobre o caso, pela primeira vez, nesta quinta-feira. Keila deixou três filhos, dois deles, menores de idade. Quem ficou sob responsabilidade dos mais novos, foi o filho mais velho, Gustavo Miranda, 21 anos.

Gustavo estava viajando, no dia do ocorrido, e já se encontrava a 800km de distância. Recebeu a notícia por telefonema. Ele conta que, apesar da vida agressiva que os pais viviam, jamais imaginou que tudo isso pudesse acontecer. "Achei que era uma cena de filme. Nunca passou pela minha cabeça que ele poderia fazer isso", contou o rapaz.

O jovem também relatou que a família sempre sofreu com as agressões do pai, que os parentes não gostavam do homem e que, por medo dele, ninguém nunca fez nenhuma denúncia. Quando a mãe decidiu sair de casa, ele conta, ela confessou ao filho ter conseguido sua liberdade. "A gente sempre sofreu. Minha mãe saiu de casa e dizia que tinha saído do cativeiro. E ela realmente saiu", declarou Gustavo.

Quem sempre acolheu o jovem, foi o patrão Henrique Marcos, empresário. Gustavo convive com Henrique desde os 13 anos e a relação dos dois sempre foi semelhante a de um pai e um filho. "Ele está comigo desde os 13 anos e me chama de pai. E eu o abracei como filho. A gente tem uma amizade próxima, como a de um filho", conta Henrique.

O homem também informou que estava junto com o jovem, quando a Keila foi atingida pelos disparos de arma de fogo, pelo ex-marido. Disse que Gustavo contou a ele que havia conversado com a mãe e que ela tinha lhe dito do receio que estava de o ex-companheiro fazer algo contra ela ou contra os filhos. Quando receberam a notícia, os colegas mal sabiam como agir. "Ele ficou bastante abalado e a gente não sabia o que fazia", completou o empresário.

Gustavo já entrou em contato com o advogado que fará a defesa da família, contra o pai. Alexandre Gonçalves, advogado de defesa da vítima, conta que o suspeito deve responder por feminicídio, estupro, ameaça e por furto cometido contra o avô de Gustavo.

O jovem, que ainda se mostra abalado com toda a situação, deixa seu conselho às mulheres que também passam pelo que a mãe dele passou: "Denuncia, não fica segurando isso. Porque, de todo jeito, se ele for fazer alguma coisa, ele vai fazer. Eu perdi minha mãe. Ela tinha medo disso acontecer e não me contava nada. Se eu soubesse, nós teríamos ido na polícia".


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