Agentes penitenciários protestam contra mudança de escala de trabalho

Os agentes se reuniram nesta terça-feira na porta do Presídio Sebastião Satiro

por Redação Patos Já
20/08/2019 - 18h30

Patos Já - Agentes penitenciários protestam contra mudança de escala de trabalho

Agentes de segurança prisional do Presidio Sebastião Satiro, em Patos de Minas, se reuniram nesta terça-feira (20) para protestar contra uma mudança na escala de trabalho. Segundo eles, hoje eles trabalham em uma escala de 24 por 72h, mas, com a nova determinação, eles devem trabalhar com outra escala, 12x36.

A proposta foi apresentada pelo diretor Regional do Sistema Prisional da Décima Região. Segundo o Agente Prisional do Sebastião Satiro, Olivar Dias, há mais de um ano eles trabalham 24 horas e folgam 72 horas. Essa escala trouxe melhores condições de trabalho para os agentes e mais humanização para os presos. “Até o início dessa escala havia excesso de suicídios, excesso de conflitos entre os servidores, os custodiados, familiares e até as pessoas que buscam o serviço prisional; isso devido ao excesso de estresse. Essa é a atividade policial mais perigosa do planeta, segundo a Organização Internacional do Trabalho, e as autoridades precisam se atentar a isso”, afirmou Olivar Dias.

Pela manhã, o diretor do Presídio Sebastião Satiro, Jeferson de Alcântara Almeida, chegou na unidade e não quis comentar sobre o assunto. Mas, para os agentes, ele disse que apenas segue uma ordem do departamento Penitenciário de Minas Gerais.

A nova escala é  de 12 por 36, a mesma regra que já existia, mas, segundo os agentes, nunca deu certo. Essa não é a primeira que os agentes prisionais ficam indignados com mudanças na categoria. Em 2018 servidores técnicos e administrativos, de cerca de 180 unidades prisionais de Minas Gerais, ameaçaram entrar em greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em Assembleia do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado de Minas Gerais (SindPúblicos-MG), ocorrida no dia 21 de fevereiro, do mesmo ano, depois que o governo do estado não cumpriu as promessas de melhoria nas condições de trabalho, carga horária e equiparação salarial.

Segundo Olivar Dias, se a mudança ocorrer, haverá prejuízos para o sistema. O presídio construído com capacidade de atender até 170 preso, já chegou neste ano a abrigar 450 pessoas. Os servidores técnicos e administrativos estão sendo prejudicados pelo destrato com o sistema prisional. “Nós nos desdobramos, tiramos do próprio bolso para arcar com mobiliário que não temos, recebemos ordens para não circularmos fardados, em virtude da violência contra os profissionais de segurança, mas não temos alojamento adequado, e as autoridades só estão querendo piorar a nossa situação, as nossas condições de trabalho”, concluiu o agente Prisional do Sebastião Satiro.


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