Vai fechar: Hospital São Lucas comunica rescisão de contrato com o município e encerramento das atividades

Sergio Piau confirmou o fechamento e disse que negocia a venda da área para uma construtora

por Odair Cardoso
18/06/2021 - 17h30

Patos Já - Vai fechar: Hospital São Lucas comunica rescisão de contrato com o município e encerramento das atividades

A direção do Hospital São Lucas publicou carta nesta sexta-feira (18), comunicando que em 120 dias encerrará o contrato de prestação de serviços com a prefeitura de Patos de Minas e a medida decretará o fechamento da unidade, que presta atendimentos médicos via SUS.

A informação foi confirmada por Sergio Piau, que é proprietário do HSL. Segundo o médico, a área onde hoje funcionam todos os atendimentos de estrutura hospitalar, contando com 150 leitos, sendo 60 de UTI e 20 destas de Neonatal, já foi negociada com uma construtora para a implantação de dez prédios com 12 andares cada.

Nós questionamos a prefeitura sobre o assunto e a assessoria de comunicação enviou nota dizendo que, o município foi comunicado nesta sexta-feira sobre a não continuidade na prestação dos serviços em relação ao SUS. "O prefeito Luis Eduardo Falcão e toda administração municipal reconhecem a relevância dos serviços prestados e agradecem imensamente o tempo de dedicação à população de Patos de Minas e região. A Secretaria Municipal de Saúde reafirma seu compromisso de prestar assistência à saúde da comunidade patense na certeza de cumprir este dever com qualidade e respeito", diz o texto.

Confira na íntegra a carta publicada pelos gestores do Hospital São Lucas:

"Carta aos patenses, à estes em especial; lagoenses, olegarienses, entre outros, que em algum momento foram ou tiveram algum parente, amigo ou conhecido acolhido pelo Hospital São Lucas.

Carta a uma grande parcela da sociedade mineira que ao longo de décadas nasceram, se trataram e se despediram de seus entes queridos que encerram suas jornadas de vida aqui.

Aqui! no Hospital São Lucas, Entidade cuja altivez decorre da participação marcante na história desse município, imaculada de mágoas ou rancores por ter sofrido os nefastos efeitos de se dedicar ao atendimento via SUS, nasceu forte e floresceu nessas terras alvissareiras.

Em todo esse período nosso orgulho residiu no fato de poder servir a pessoas de baixa ou nenhuma renda.

No entanto, hoje, aquilo que era motivo de orgulho se descortinou em vergonha, vez que em razão da ineficiência de uma política sólida de prestação de serviços públicos de saúde através SUS o Hospital não consegue continuar fazendo aquilo que sempre foi sua especialidade, qual seja: socorrer os menos favorecidos.

Essa política nefasta não atrai interessados a prestar serviços em saúde a pessoas de escassos recursos financeiros, ao contrário, neste caso ela inviabilizou a atividade do único, talvez o último hospital privado em nossa região que ainda se dedicava a prestar serviços vinculado ao SUS.

Foram diversos pedidos de readequação financeira do contrato firmado com a administração municipal, órgão cuja responsabilidade na execução de serviços em saúde é plena e indelegável.

Perdidos embriagados pelo poder que emana dos cargos que ocupam, teoricamente para militar em favor do povo, deixaram passar desapercebidos que o maior Hospital privado da região poderia continuar sendo como sempre foi um importante aliado na execução das ações de assistência à saúde.

Fato é que a recalcitrância do poder público quanto à possibilidade de realinhamento do equilíbrio financeiro do contrato firmado com este culminou na perda da qualidade dos serviços outrora oferecidos a população e na pior de todas as suas fazes resultaram no encerramento das atividades do Hospital, este que verdadeiramente foi o Hospital do povo em nossa região durante décadas.

Hoje, com muito pesar e sentimento de luto não encerramos apenas uma empresa.

Encerramos um capítulo muito importante na história de Patos de Minas e com impacto nefasto sobre incontável número mineiros.

Encerramos um empreendimento que sucumbiu as mazelas das más políticas públicas.

Encerramos parte do acesso ao festejado e muito falado direito a saúde pública, constitucionalmente assegurado pela carta cidadã, mas cuja implementação não supera a política.

Encerramos o legado de um empreendimento familiar que mesmo quando já não era mais vantajoso do ponto de vista econômico se manteve de portas abertas aos menos favorecidos financeiramente.

Por fim, e não menos importante, só nos resta agradecer aos colaboradores, em especial, e a todos que de alguma forma contribuíram para o desempenho das atividades do Hospital São Lucas por tantos anos".



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